09 de Agosto de 2019
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Aplicativo Adoção completa 01 ano auxiliando a mudar perfil desejado pelos adotantes

No primeiro ano, por meio do app, foram concretizadas 04 adoções.
Outras 11 estão em aproximação ou guarda provisória
(Arte: Imprensa TJRS)

Há 1 ano, era lançado o Aplicativo Adoção. Mais do que a implantação de uma ferramenta tecnológica, a parceria entre Poder Judiciário, PUCRS e Ministério Público Estadual, que humaniza a busca a aproximação de pais e filhos adotivos, representa a possibilidade de nascimento de uma família. Encontros que, provavelmente, sem a 'forcinha' da tecnologia, jamais teriam a oportunidade acontecer.

Com a missão de impulsionar as adoções de difícil colocação (crianças a partir dos 7 anos, adolescentes, grupos de irmãos e jovens com deficiência), o app vem conseguindo ajudar a flexibilizar o perfil descrito pelos pretendentes - o dos bebês e crianças de até 6 anos - no que se refere à idade, aumentando a média desejada de 8 para 13 anos. Quatro adoções já foram concretizadas e outras 11 estão em aproximação ou guarda provisória.

Para a Corregedora-Geral da Justiça, Desembargadora Denise Oliveira Cezar, a ferramenta tem diferentes simbologias: "A primeira delas é a transparência, a maximização das possibilidades de encontros entre acolhidos no RS e habilitados de todo o país. A outra, se refere ao aprimoramento tecnológico das nossas atividades. Com a inclusão de mídias, de novas formas de comunicação, há a modernização e o compromisso de uma sociedade mais tecnológica, atendendo a essa vertente inexorável das comunicações humanas", avalia a magistrada.

A Juíza-Corregedora Nara Cristina Cano Neumann Saraiva, titular da Coordenadoria da Infância e Juventude do RS (CIJRS), destaca a humanização do processo: "O Aplicativo é um marco na adoção tardia porque altera o procedimento da adoção, no sentido de que, até a sua chegada, o pretendente não tinha a imagem da criança ou do adolescente. Ele simplesmente declinava o perfil desejado, de regra, recém-nascidos e crianças pequenas. A partir do momento em que visualiza a imagem e o vídeo, surge nele o desejo de conhecer e, consequentemente, flexibiliza o perfil."

Há 614 crianças e adolescentes aptos para adoção no Rio Grande do Sul. Em contrapartida, a fila dos que desejam adotar tem 5,5 mil pretendentes já habilitados pelo Cadastro Nacional de Adoção (CNA). A conta não fecha porque 90% buscam crianças de até 6 anos, mas 88% delas têm entre 11 e 17 anos.

Aplicativo humanizou processo de adoção

Ao disponibilizar imagens com depoimentos, fotos, cartas e desenhos, o Aplicativo Adoção deu rosto, movimento e emoção às crianças e adolescentes disponíveis no CNA, cujas informações, antes, se limitavam a uma tabela com dados básicos, como iniciais dos nomes, idade, condições de saúde e se tinham irmãos. As esperanças dos pretendentes também aumentaram, na medida em que a ferramenta está disponível para todo o país.

Dados da CIJRS apontam que, nesse último ano, a maior mudança nos perfis desejados se refere à idade: a média pretendida no CNA era de 8 anos e, com a chegada do Aplicativo Adoção, passou para 13 anos.


Dados apontam que, nesse último ano, a maior mudança
nos perfis desejados se refere à idade:
média pretendida no CNA era de 8 anos
e, com a chegada do Aplicativo Adoção, passou para 13 anos

Até o momento, quatro adolescentes foram adotados. Das 147 manifestações de interesse ativas, quatro estão em aproximação com os pretendentes e outros sete em guarda provisória. "Isso resulta uma possibilidade concreta de 15 adoções no período de 1 ano. Temos 231 incluídos no app, com a possibilidade de incluir um total de 614, o que vai contribuir para um maior número de resultados. A nossa avaliação é extremamente positiva. Pelos números do app, mas também pela flexibilização do perfil desejado pelos pretendentes¿, afirma a Juíza-Corregedora Nara Saraiva.

"O problema maior era justamente a flexibilização da idade. E o app alcançou o seu objetivo maior: usar a tecnologia para aproximar as pessoas por meio de depoimentos, imagens, escritos autênticos. Nada ali é forjado. Tudo é real. Apenas o meio é que é tecnológico", conclui a Desembargadora Denise.

O Aplicativo Adoção foi concebido em parceria com a PUCRS e o Ministério Público Estadual. O protótipo foi projetado por professores da Apple Developer Academy e desenvolvido por alunos do curso de Desenvolvimento de Softwares, da Faculdade de Informática da universidade. Já a implementação do software ficou a cargo da Direção de Tecnologia da Informação e Comunicação (DITIC) do TJRS. A ferramenta está disponível para os sistemas Android e iOS, tendo mais de 5.030 downloads ativos sendo 2.634 iOS e 2.396 Android.

Campanha impulsionou adoções

O Aplicativo Adoção está inserido na campanha Deixa o amor te surpreender, que, desde 2016, vem dando visibilidade à questão. Em 2017, 311 jovens foram adotados no Rio Grande do Sul. O número aumentou para 425 no ano seguinte e, até o primeiro semestre de 2019, outros 228 também formaram novas famílias.

As iniciativas para que esse número aumentasse, são várias. Além do próprio app, a CIJRS promove o Dia do Encontro, uma tarde lúdica que aproxima jovens aptos a adoção e pretendentes habilitados no Cadastro Nacional de Adoção (CNA). Em 2019, lançou o Adote um pequeno torcedor, tchê, versão gaúcha do projeto idealizado pelo Judiciário de Pernambuco, unindo o Sport Clube Internacional e o Grêmio Foot-Ball Portoalegrense. E, no ano passado, formou parceria com a RBS TV na campanha Adote um destino.

Na Capital, onde há 213 crianças e adolescentes para adoção, a Corregedoria-Geral da Justiça instalou mais um Juizado e destinou mais um magistrado, com o objetivo de agilizar os processos da Infância e Juventude e priorizar o atendimento na área. Já os adolescentes ganharam voz, ao participarem do Comitê de Participação de Adolescentes Acolhidos na Justiça (CPAAJ).

Para mais informações, acesse: http://www.tjrs.jus.br/app-adocao/

EXPEDIENTE
Texto: Janine Souza
Assessora-Coordenadora de Imprensa: Adriana Arend
imprensa@tj.rs.gov.br