13 de Setembro de 2020
  • O Sul
  • Geral
  • P. 45
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Um projeto prevê o monitoramento de abelhas em tempo real no Rio Grande do Sul

Uma reunião reunião virtual da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Apicultura da Seapdr (Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural) marcou a apresentação do projeto ”SIMAbelhas”, que prevê um sistema de informação e monitoramento do inseto no Rio Grande do Sul. Realizada em conjunto com diversas entidades, a ação deve ser executada em até cinco anos.

A professor Betina Blochtein, da PUCRS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul) e seu colega Aroni Sattler, da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), detalharam o monitoramento, que contemplará quatro regiões: Depressão Central (Eldorado do Sul, Estrela e São Gabriel), Noroeste (Ijuí e Cerro Largo), Nordeste (Vacaria, Cambará do Sul e São Francisco de Paula) e Sul (Pelotas).

”Algumas colmeias serão acompanhadas em tempo real”, explicou Betina. “Amostras de material serão coletadas várias vezes ao longo do ano, a fim de controlar resíduos de agrotóxicos e também a presença de parasitas ou doenças nas abelhas.”

“Em Cambará do Sul, por exemplo, há uma área com reservas ambientais e um bioma especial”, acrescentou Sattler. ”Em Colorado, nas culturas de inverno, o uso de defensivos agrícolas dentro dos pomares é ruim para a polinização”.

Defensivos

O promotor de Justiça de Defesa do Meio Ambiente de Porto Alegre do MP (Ministério Público), Alexandre Saltz, destacou a importância de se buscar soluções para o uso equilibrado de defensivos agrícolas, dentre os quais o fipronil, que não é cadastrado no Rio Grande do Sul: “Sugiro a criação de um grupo de trabalho para debater o assunto”.

Ainda segundo ele, o projeto ”SIM-Abelhas” é uma alternativa para superar os problemas da má aplicação dos agrotóxicos: “O trabalho trará informações claras para que a fiscalização atue imediatamente. Se temos que conviver com o uso de herbicidas, então precisamos estabelecer regras mínimas e ter políticas públicas para nos auxiliar”.

Mel

Outro ponto discutido durante o encontro foi a avaliação da safra de mel em 2020 e os impactos da pandemia de coronavírus sobre o consumo do produto. O presidente da Fargs (Federação Apícola do Rio Grande do Sul), Anselmo Kuhn, comemorou a alta no produto (incluindo própolis) nos últimos meses: “Os preços dos produtos aumentaram devido à grande procura. Nossas expectativas para o setor são as melhores possíveis”.

Segundo a presidente da Abemel (Associação Brasileira dos Exportadores de Mel), Andresa Berretta, em 2020, o Brasil exportou 25.581 toneladas de mel, sendo 78% para os Estados Unidos: “No total, tivemos US$ 58 milhões gerados com a exportação do produto. Só para os Estados Unidos, foram US$ 38 milhões. Depois do mercado americano, as maiores exportações são para a Alemanha e Austrália”.