30 de Julho de 2020
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Por que o PIB dos EUA despencou 32,9% no segundo trimestre e queda máxima no Brasil é estimada em 15%

Metodologia de cálculo, exposição à economia global e legislação trabalhista se combinam para explicar a diferença de perspectivas

Embora nos Estados Unidos a expectativa do mercado fosse ainda pior, o tombo de 32,9% no PIB anualizado do segundo trimestre assustou os brasileiros. Será que é isso que nos espera em 1º de setembro, quando o IBGE anunciar o resultado no Brasil?

As projeções máximas de queda dos economistas para o segundo trimestre no Brasil estão em torno de 15%, mas a maioria aposta em um número mais próximo de 10%. 

 Metodologia de cálculo, exposição à economia global e legislação trabalhista se combinam para explicar a diferença entre os indicadores. Os EUA usam o cálculo do PIB anualizado, ou seja, como o resultado se comportaria caso se estendesse por quatro trimestres, com ajustes sazonais. No Brasil, há comparação direta entre o resultado do período, comparado ao do trimestre anterior e a igual intervalo do ano anterior. 

Ely José de Mattos, economista, professor da Escola de Negócios da PUCRS, afirma que umas das explicações para a diferença no comportamento é o perfil da atividade econômica:

- A crise é global, e os EUA têm grande inserção global. Além disso, em muitos Estados americanos houve lockdown de verdade, que aqui não chegou a ocorrer, com raras exceções. Outra diferença é a situação do desemprego, que nos EUA chegou a níveis piores do que os da crise de 1929. O fato de perder postos de trabalho mais rapidamente concentra a queda, e talvez volte mais rapidamente. Lá, o próximo trimestre não deve ser tão ruim. Aqui devemos ter trimestres menos piores, mas mais trimestres negativos.

Mattos considera otimistas as projeções de recuperação em V - queda forte, seguida de retomada rápida - no Brasil. Observando que essa expectativa se baseia na avaliação de que o dano no tecido econômico é superficial, opina que é mais profundo do que parece. Como há dificuldades de colher dados estatísticos, tanto que o IBGE teve de adiar a liberação de dados da Pnad, as projeções sobre o PIB nacional para 202o se tornaram ainda mais desafiadoras.

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