07 de Novembro de 2019
  • Zero Hora
  • Segundo Caderno
  • P. 4

Bethânia brilha em "Claros Breus"

Cantora baiana apresentou seu novo show na reabertura do reformado Salão de Atos da PUCRS, onde foi homenageada

Poesia, música e dramaturgia chegaram em um vermelho brilhante ao revitalizado Salão de Atos da PUCRS (leia mais na página 31 de Zero Hora) na noite de terça-feira, com Maria Bethânia apresentando Claros Breus, show que misturou hits clássicos e canções ainda não gravadas ou inéditas na voz da baiana. Pouco antes, no foyer, por volta de 20h, o público já esperava ansioso. Para Daiana Kessler, 31 anos, de Novo Hamburgo, esta era uma oportunidade única.

- Não sei quando e se ela vai voltar a Porto Alegre. Precisamos ver Maria Bethânia pelo menos uma vez na vida - afirmou a assistente de relações internacionais.

Já a aposentada Ana Lúcia Biesuz, 55, tenta ver a intérprete sempre que ela vem a Porto Alegre:

- A energia dela é linda. Faz com que o público se envolva nas canções.

Com Pronta pra Cantar, do irmão Caetano Veloso, Bethânia abriu lindamente o espetáculo, que marcou também um momento especial para a universidade e para a própria cantora: a entrega do Prêmio Mérito Cultural, que, no ano passado, já havia homenageado a atriz Fernanda Montenegro.

Os cerca de 1,6 mil lugares do novo Salão de Atos estavam ocupados.

- Que sala linda! O Sul está me tratando muito bem - disse Bethânia.

Em cerca de uma hora e meia de show, da voz que parece ocupar cada pequeno espaço do salão não apenas saem canções que se tornaram clássicas sob sua tutela, como Olhos nos Olhos, mas também músicas inéditas, entre elas A Flor Encarnada, de Adriana Calcanhotto, e Águia Nordestina, de Chico César. Bethânia também cantou pela primeira vez Sinhá, de Chico Buarque. E parte do público delirou quando entoou Evidências, música de Paulo Sérgio Valle que ficou conhecida na voz da dupla Chitãozinho & Xororó.

Homenagem

A versão do espetáculo em Porto Alegre veio um pouco mais curta, talvez para encaixar a entrega da homenagem dentro do espaço de uma hora e meia. Tocando em Frente e Brincar de Viver foram alguns dos sucessos que ficaram de fora. Assim como Gente, de Caetano Veloso. Mas o irmão foi bem representado em Sampa e no bis.

Entre algumas canções, Bethânia fez jus ao prêmio previsto para o fim do espetáculo: recitou trechos de textos de Mia Couto e Ferreira Gullar. Nesses momentos, sentada em um banquinho e recriando a atmosfera intimista em que nasceu o show, falou sobre a origem de Claros Breus, que teve pré-estreias no Clube Manouche, no Rio de Janeiro, em julho:

- Eu queria reviver a noite carioca, quando ela era um diamante.

No bis, Bethânia entoou Purificar o Subaé, composição de Caetano que não poderia ser mais atual - nasceu como uma manifestação contra a poluição no Rio Subaé, que corta Santo Amaro da Purificação, terra natal dos irmãos Veloso.

Ao final do espetáculo, a plateia pôde ver um momento emocionante: a entrega do Mérito Cultural, reconhecimento da PUCRS a artistas que utilizaram sua vida e carreira em defesa da cultura e em aliança com a educação.

- Agradeço com o coração na mão e à mostra - respondeu Bethânia ao receber a distinção do reitor da PUCRS, Evilázio Teixeira. - A cultura traz dignidade a um povo.

Antes de deixar a cortina fechar, cantou Gonzaguinha. E ninguém teve vergonha de viver, cantar e ser feliz.