26 de Março de 2020
  • Jornal do Comércio
  • Mercado Digital
  • P. 11
  • 72.00 cm/col

Tecnopuc entrega escudos faciais fabricados em 3D para hospital

Foi dado o start à produção de 200 unidades de um escudo facial de proteção em 3D para serem usados por profissionais da saúde que estão trabalhando no combate ao Covid-19. A iniciativa é do Tecnopuc Fablab e o primeiro lote será direcionado para o Hospital São Lucas (HSL), que faz parte do ecossistema da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).

“Arrecadamos todas as impressoras 3D de diversos setores da universidade, colocamos aqui no Tecnopuc Fablab e estamos em ritmo acelerado”, conta o superintendente de Desenvolvimento e Inovação da Pucrs, Jorge Audy.

Dois protótipos foram testados pelos profissionais de saúde do HSL, que optaram por uma versão mais ergonômica e também segura. O escudo será colocado por cima da máscara N95, já utilizada pelos hospitais. O líder do Instituto Ideia, do Tecnopuc, Eduardo Giugliani, conta que a capacidade de produção será de 300 a 400 máscaras por semana quando todas as impressoras 3D previstas estiverem a pleno vapor.

Estão disponíveis hoje cerca de 10 impressoras, mas a meta é engajar empresas a participarem para que seja possível chegar entre 20 a 35 impressoras 3D. O hub de fabricação e logística está no Idea, no Tecnopuc. Giugliani afirma que, depois desse primeiro lote, a meta é tentar atender todo sistema de saúde do Rio Grande do Sul.

Mas, existe um gargalo que é o da oferta de matéria-prima para a produção dos escudos. “Os estoques no mercado são baixos, mas vamos tentar contornar isso”, diz. São dois materiais usados na produção: o PETG (rolo de filamento que vai na impressora) e uma folha transparente que também pode ser de PEGT ou acetato.

Para tentar ajudar a resolver questões como essa do fornecimento e ampliar esse trabalho por todo Estado, a Rede Gaúcha de Ambientes de Inovação (Reginp) começou já na quinta-feira a mobilizar os associados, entre universidades, parques tecnológicos e incubadoras.

“Estamos tentando capitalizar dentro da rede e vamos montar uma ação coordenada para ver quais ambientes que estão usando os seus laboratórios de prototipagem para ajudar na fabricação de escudos faciais e outros equipamentos de proteção. Outro foco é identificar as suas redes de fornecedores, afinal, um material que falte para uma localidade, pode estar disponível em outra cidade”, comenta o presidente da Reginp e diretor do Parque Tecnológico da Furg, o Oceantec, Artur Gibbon.

E o resultado foi positivo. Ambientes universitários e de inovação em cidades como Santo Ângelo, Santa Rosa, Rio Grande, Pelotas, Lajeado, São Leopoldo, Bagé, Passo Fundo e Santa Maria, entre outros, estão com inciativas ativas para contribuir neste cenário do novo coronavírus.

“Momentos como esse mostram a importância de termos ambientes de inovação espalhados por todo Estado”, analisa Gibbon.