26 de Março de 2020
  • Diário Gaúcho
  • A Vida da Gente
  • P. 4
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Protestos pela falta da máscara N95

Foram mais de 500 reclamações de profissionais da saúde em menos de uma semana, a maior parte delas por farta de equipamento de proteção individual (EPI) adequado. E o número contabilizado pelo Sindisaúde-RS.

Desde o dia 19, o sindicato tem acolhido demandas da categoria. A mais recorrente é em relação à carência de máscaras do modelo N95, considerada mais eficiente na proteção ao coronavírus.

As reclamações têm motivado protestos. Segundo o sindicato, os locais com maiores concentrações de denúncias são o Instituto de Cardiologia de Porto Alegre, o Hospital de Viamão, o Hospital São Lucas da PUCRS e a Santa Casa.

- A máscara N95 precisa ser ampliada para todos os trabalhadores que atuam com pacientes que podem estar infectados - afirma o presidente do Sindisaúde-RS.
Julio Jesien.

A ampliação do uso da N95, no entanto, é questionada por médicos. Para epidemiologista Ricardo Kuchenhecker, do Hospital de Clínicas, a máscara cirúrgica é suficiente para grande parte das rotinas ligadas à covid-19:

- No atendimento de pacientes que não envolvam procedimentos mais invasivos, a máscara círúrgica é suficiente.

Segundo os médicos, o uso indiscriminado da N95 pode gerar carência do material.
- Infelizmente, o uso da N95 está sendo sem critério por profissionais de todas as áreas do hospital, bem como por pacientes ambulatoriais sem sintomas respiratórios e sem indicação médica - diz André Luiz Machado da Silva, infectologjsta Hospital Conceição.

ContrapOntOS
A Fundação Universitária de Cardiologia, mantenedora do Instituto de Cardiologia e Hospital de Viamão, afirmou "que, no momento, conta com EPIs suficientes e adequados às normas do Ministério da Saúde". A assessoria do Hospital São Lucas da PUCRS também afirmou que conta com número suficiente de máscara. A Santa Casa informou que "os estoques de EPIs se mantêm nos padrões normais".