27/07/2016
Zero Hora
Campo Aberto | Pág. 20
Clipado em 27/07/2016 03:07:27
Câmbio compensa queda de preço de commodities

Com 53% de participação no valor das exportações gaúchas no primeiro semestre, quando o Rio Grande do Sul bateu recorde em volume embarcado, o agronegócio teve um aliado de peso: o câmbio. Não fosse a desvalorização de 25% do real frente ao dólar no período, o setor teria sentido muito mais a queda de preço das principais commodities agrícolas.

Apesar da quantidade vendida ter sido 3% superior ao primeiro semestre do ano passado, o valor arrecadado nas exportações de produtos básicos foi 8% menor. A redução foi superior à dos produtos manufaturados e semifaturados.

Na comparação com o primeiro semestre de 2015, os 10 principais produtos agropecuários exportados pelo Estado tiveram redução de preço em dólar no mercado internacional. A soja teve queda de 9,2% e a carne suína, 26,9%, por exemplo.

– Os preços internacionais caíram de uma maneira geral, ou seja, vendemos mais por menor preço – explica Tomás Torezani, pesquisador da Fundação de Economia e Estatística (FEE).

Apesar da queda nas cotações registrada desde o final do ano passado, os produtos básicos começaram a reagir no final do semestre. Responsável por quase 25% das exportações gaúchas, a soja acordou na Bolsa de Chicago em maio, após um período adormecida na casa dos US$ 8 o bushel (medida americana equivalente a 27,2 quilos).

– Os preços internacionais melhoraram em maio e junho, apesar de continuarem em baixa. O lado positivo é que conseguimos vender com câmbio favorável em um período de queda das commodities – salienta Antonio da Luz, economista-chefe do Sistema Farsul.

Em junho, a participação do agronegócio nas exportações chegou a representar 75% do valor total embarcado pelo Rio Grande do Sul. Com a demanda aquecida nos principais importadores mundiais, e abertura de novos mercados para a carne bovina, a expectativa é de que o volume de produtos básicos vendido para fora continue crescendo. A dúvida é até quando o câmbio continuará compensando a queda dos preços internacionais.