15/04/2016
Correio do Povo
Polícia | Pág. 24
Clipado em 15/04/2016 03:04:47
Policiais gaúchos não irão ao Rio de Janeiro
Policiais militares e civis gaúchos iriam integrara força-tarefa responsável pela segurança do evento

O governador José Ivo Sartori anunciou ontem ter desistido de ceder policiais para as Olimpíadas no Rio de Janeiro. O evento ocorre de 5 a 21 de agosto. Em áudio publicado na página do governo do Estado, Sartori disse que a cedência só ocorreria se fosse possível deslocar policiais de atividades administrativas, mas isso se tornou inviável. “Não há como autorizar a retirada de nenhum policial das ruas”, afirmou o governador. “Espero a compreensão do Ministério da Justiça e do governo federal”, disse. Sartori salientou que a prioridade é a segurança do povo gaúcho.

Após o anúncio do governador, o Palácio Piratini revelou que foram retomadas as negociações para tentar colaborar com a força-tarefa que vai atuar na segurança do evento esportivo. Com a decisão, o Rio Grande do Sul deixa de receber da União viaturas e armamento em troca do envio temporário de 112 agentes, sendo cem policiais militares, oito civis e quatro peritos. Apesar disso, não há previsão de sanções por parte do governo federal ao Executivo gaúcho em razão da desistência. Conforme a assessoria do Palácio Piratini disse à Rádio Guaíba, o estado do Mato Grosso tomou medida semelhante. Conforme a Secretaria da Segurança Pública, as negociações já recomeçaram, devendo ser aprofundadas na próxima semana.

Será analisada alguma maneira de colaborar com a segurança nas Olimpíadas. A Brigada Militar chegou a anunciar o envio do contingente, que seria formado apenas por sargentos. Estes teriam experiência em ações desenvolvidas pela Força Nacional de Segurança. OAB. A decisão de Sartori ocorre dois dias após a manifestação da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/RS) contra o envio de policiais para os jogos do Rio. Para o presidente da entidade, Ricardo Breier, o governador demonstrou bom senso ao rever a sua decisão.

“Foi uma demonstração de consideração com o cidadão gaúcho. Precisamos dialogar para construirmos uma política permanente de segurança pública”. Na terça-feira, o presidente da OAB/RS reforçou que o Estado enfrenta a maior crise de segurança da história. “Não há policiamento ostensivo, e estamos vivendo um verdadeiro caos prisional”, afirmou, em nota.