10/09/2014
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Clipado em 10/09/2014 07:30:15
Empresa citada por delator fez obra na Refap
Apontada por ex-diretor da Petrobras como uma das participantes de esquema para garantir propinas a políticos, UTC foi responsável por ampliação de refinaria da estatal em Canoas e participou da montagem de plataformas em Rio Grande

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Citada em depoimentos à Polícia Federal como integrante de um esquema de pagamento de propina a políticos, o que teria causado o desvio de recursos da Petrobras, a UTC Engenharia atuou em obras bilionárias no Rio Grande do Sul. A empresa venceu licitação para construir a nova unidade de tratamento de diesel da Refap, em Canoas, e foi integrante do consórcio Quip, que montou plataformas de petróleo para a Petrobras em Rio Grande.

Ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa está preso desde 20 de março, quando foi deflagrada a Operação Lava-Jato, da Polícia Federal, que desbaratou em esquema de lavagem de dinheiro e corrupção. Depondo em regime de delação premiada, Costa delatou operação em que empresas contratadas pela estatal pagavam propina a diversos políticos aliados do governo federal, provocando superfaturamento de contratos.

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A UTC Engenharia foi apontada como uma das prestadoras de serviço envolvidas. No Estado, a empresa de engenharia ganhou, em 2010, licitação para construir a nova unidade de diesel da Refap, que iniciou as operações no último dia 3. O contrato foi de R$ 1,6 bilhão.

A licitação só saiu depois que a Refap teve 30% de suas ações recompradas pela Petrobras. Essa fatia havia sido repassada à hispano-argentina Repsol-YPF. Em janeiro de 2011, a Petrobras retomou formalmente 100% do capital da subsidiária de Canoas. Logo depois, foi assinado o contrato da Refap com a UTC para a construção da nova unidade. Coube ao próprio Costa, em 12 de janeiro de 2011, assinar o acordo no Rio de Janeiro.

Trabalhos tiveram duração de 3,5 anos

No Estado, uma das pessoas que monitorou o contrato foi Vicente Rauber, à época diretor administrativo e financeiro da Refap. Entre as suas atribuições, esteve a de negociar a concessão de um financiamento com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a obra. A UTC ganhou a licitação e contou com o apoio da construtora Ernesto Woebcke, subcontratada para executar os serviços. O trabalho, que deveria ter duração de três anos, teve seis meses de atraso até a conclusão e início da operação da unidade.



A gente teve com a UTC os mesmos problemas de outras empreiteiras que trabalham para a Petrobras, como dificuldade de entrega no prazo e muitos acidentes de trabalho. Não temos nenhuma informação que nos leve a desconfiar de desvio de dinheiro

afirmou Fernando Maia da Costa, presidente do Sindicato dos Petroleiros do Rio Grande do Sul (Sindipetro-RS).

Antiga sócia do consórcio Quip (juntamente com Queiroz Galvão, Iesa e Camargo Corrêa), a UTC Engenharia participou da construção de pelo menos quatro plataformas de petróleo no polo naval de Rio Grande, com investimento de R$ 1 bilhão em cada.

Obras da UTC Engenharia para a Petrobras no Rio Grande do Sul

Na Refap, em Canoas, construiu a nova unidade de tratamento de diesel.

Em Rio Grande, no polo naval, dentro do consórcio Quip, participou da construção das plataformas de petróleo P-53, P-55, P-58, P-63.

No início de 2014, o grupo Quip se tornou QGI Brasil, sem a presença da UTC entre as sócias.

"Não havia nenhum indício", afirma Rauber

Um dos responsáveis por acompanhar o contrato da UTC nas obras na Refap, Vicente Rauber, ex-diretor administrativo e financeiro, assegura que o procedimento transcorreu dentro de rigorosa legalidade. Rauber foi presidente da CEEE no governo Olívio Dutra, e passou pela indústria Innova, controlada pela Petrobras no polo petroquímico, em 2013.

Apesar das denúncias, o senhor pode assegurar que foi legal o contrato entre a Refap e a UTC Engenharia


Todo o processo foi conduzido da forma mais ilibada possível. Aqui em Canoas não houve desvio de qualquer conduta e podemos ser auditados de cabo a rabo. Conheço bem o processo.

Paulo Roberto Costa assinou o contrato em 2011. Como era a relação com ele


A relação com ele, e com todos os outros diretores, era de absoluta transparência e correção. Não tínhamos indício de qualquer irregularidade.

O senhor se surpreendeu com as declarações de Costa a respeito de propina


Creio que sim, não havia nenhum indício.

O senhor acredita que a UTC é uma empresa idônea


Enquanto esteve trabalhando conosco, teve problemas normais para uma obra desse tamanho e dessa complexidade. Eu não teria nenhuma restrição maior à UTC. Ela foi fazendo seu trabalho como tinha de fazer, pelo menos até julho de 2012, período em que estive na Refap.