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Encerrada ontem, a primeira inspeção conjunta do Ministério Público do Trabalho (MPT) e do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) em frigoríficos de abates de bovinos e suínos de 2015 resultou na interdição do Frigorífico Silva, de Santa Maria. Entre as principais infrações observadas pelos auditores constam movimentos repetitivos em excesso, emprego contínuo de força para movimentar mais do que os 23 quilos permitido por lei, ausência de dispositivos de segurança nas máquinas, acompanhamento médico nulo ou pouco efetivo e jornada de trabalho exaustiva. O auto de interdição prevê o pagamento, pela empresa, dos rendimentos totais de todos os 762 funcionários durante o período de inatividade. Procurada, a empresa não comentou o episódio até o fechamento desta edição.
O procurador do MPT, Ricardo Garcia, afirmou que a direção do frigorífico Silva terá de fazer um redesenho do modus operandi de produção. “Eles precisarão corrigir as máquinas e tomar providências que as tornem seguras, porque hoje representam risco iminente de amputação e morte”, destacou. “Além disso, há inúmeros outros problemas, de postura, de repetitividade, de força excessiva. Deverão adotar medidas técnicas e organizacionais que protejam o trabalhador.”
De todas as infrações às normas constatadas na força-tarefa, a sobrecarga de peso foi apontada como a mais grave pelo coordenador do Projeto Frigoríficos do MTE, auditor-fiscal do trabalho Mauro Marques Müller. Para ele, o carregamento manual de peças bovinas inteiras, como o dianteiro e o traseiro, que pesam cerca de 120 quilos, é inadmissível. Müller acrescentou ainda que os problemas surpreendem, já que o Frigorífico Silva vem sendo “sistematicamente” fiscalizado desde de 2007. “Notificamos e foi dado prazo”, recorda, sobre inspeções anteriores. “Agora teve a interdição.” O frigorífico abate, em média, 690 cabeças de bovinos por dia.
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