24/10/2012
Erico Valduga | ericovalduga.com.br
Política
Clipado em 24/10/2012 10:20:24
Delação premiada de Marcos Valério

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O nome do ex-presidente Lula continua bordejando o Mensalão, na versão conhecida e ainda sem base em indícios sólidos ou em depoimentos A DOR ENSINA a gemer, diz o ditado popular, e o tom do gemido depende da intensidade da dor, observamos nós. O publicitário Marcos Valério está gemendo, por efeito das penas ontem recebidas no julgamento do Mensalão, que somam onze anos e meio de prisão, pelos crimes de corrupção (João Paulo Cunha), peculato (Câmara dos Deputados) e formação de quadrilha.

Ainda faltam as doses por corrupção e peculato no Banco do Brasil e na mesma casa legislativa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Logo, motivos para gemer alto não lhe faltam, e é por isto que seu advogado, Marcos Leonardo, encaminhou um novo memorial aos ministros do Supremo, no qual alinha razões para que as punições ao seu cliente sejam reduzidas em até dois terços. O miolo da argumentação é que ele foi transformado em foco principal do escândalo pelos petistas e por parlamentares aliados.

LEIAM O QUE o que afirma o defensor ((está reproduzido na newsletter Videversus, editada por Vitor Vieira): "A classe política que compunha a base de sustentação do Governo do Presidente Lula, diante do início das investigações do chamado mensalão, habilidosamente, deslocou o foco da mídia das investigações dos protagonistas políticos (Presidente Lula, seus Ministros, dirigentes do PT e partidos da base aliada e deputados federais), para o empresário mineiro Marcos Valério, do ramo de publicidade e propaganda, absoluto desconhecido até então, dando-lhe uma dimensão que não tinha e não teve nos fatos.

Quem não era presidente, ministro, dirigente político, parlamentar, detentor de mandato ou liderança com poder político, foi transformado em peça principal do enredo político e jornalístico, cunhando-se na mídia a expressão valerioduto, martelada diuturnamente, como forma de condená-lo por antecipação.

FAZ SENTIDO, como teoria, mas dificilmente comoverá os juízes, como não comoveram o Ministério Público as recentes declarações do réu à revista Veja, também apontando para a responsabilidade do ex-Nosso Líder no escabroso episódio. A esta altura do julgamento somente fatos novos reduzirão a intensidade da dor de Marcos Valério, baseados em indícios sólidos e em provas sobre o que exatamente aconteceu, o que possibilitaria uma nova denúncia dos promotores de justiça. Se ele dispõe de fatos novos, como se informa que disponha (diz que tem um arquivo escondido, para garantir a sua incolumidade física), na condição privilegiada de operador da roubalheira, que se apresente para uma delação premiada. Aí sim poderá haver redução nas penas a que está sendo condenado. Se não, que gema por 15 ou 20 anos.