20/03/2015
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Geral
Clipado em 20/03/2015 16:08:07
Ministério do Trabalho interdita frigorífico em Santa Maria
Local para abate de bovinos oferecia risco à saúde e integridade dos trabalhadores

* Com informações de Renato Oliveira

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) interditou na manhã desta sexta-feira o frigorífico Silva Indústria e Comércio Ltda em Santa Maria, na região Central do Estado. Segundo o MTE, o local - que abate bovinos - oferecia risco grave e iminente à saúde e à integridade física dos trabalhadores.

A planta fica no Km 8 da BR 392, no bairro Passo das Tropas. Em média, eram abatidas 690 cabeças. São 65% machos e 35% fêmeas, das raças Angus e Hereford, na maioria. Cada exemplar pesa 480 kg em média. Durante a paralisação dos serviços, os empregados devem receber os salários como se estivessem em efetivo exercício, nos termos do §6º do art. 161 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

O frigorífico é o maior empregador em Santa Maria. Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de fevereiro, são 762 trabalhadores. Eles cumprem jornada de 8h48min diárias, de segunda a sexta-feira. A jornada inclui três pausas de 20 minutos (60 no total) ao final de cada 1h40min de trabalho, atendendo à Norma Regulamentadora (NR) 36, do MTE, e exclui intervalo de 1h20min para almoço ou janta.

O salário inicial bruto nos primeiros 90 dias (contrato de experiência) é de R$ 905. Após, é de R$ 950. Incluindo benefícios, como insalubridade (na maioria dos casos de 20%) e 20 minutos extras por dia para troca (10 minutos) e destroca (mais 10 minutos) de roupa, a remuneração atinge R$ 1,3 mil. Com os descontos, incluindo a alimentação, o salário líquido fica em torno de R$ 1 mil. O trabalhador que entrar às 8h, por exemplo, deve fazê-lo já com o uniforme. Sua saída se dará às 18h08min, momento que poderá tirar o uniforme.

Estão interditados todos os trabalhos do setor de atordoamento; mesa de evisceração; plataforma de elevação com o posto de trabalho da serra de carcaça; centrífuga de língua, carne picada e nervos; todas as centrífugas do setor de bucharia suja e da sala de resíduos; máquinas embaladoras de paletes, marca Reypel - aplicadores de filmes Strech - do setor de congelados e do setor de expedição; máquina picadora de charque (cubertadeira), marca Ibrasmak, no setor de charque; elevador de carga do setor de costelas; estufa do setor de charque; centrífuga de peró no setor de triparia; serras fita dos setores de bucharia suja, costela e desossa; setor de abate - trabalho nas plataformas com risco de queda para os trabalhadores; setor de expedição de pendurados (setor de tendal); setor de sala de corte (quartejo); setores de câmaras de resfriados , câmaras de congelamento e expedição caixaria; e setor de desossa.

A interdição faz parte da primeira operação da força-tarefa 2015 que investiga meio ambiente do trabalho em frigoríficos bovinos e suínos gaúchos. A diligência foi organizada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) e pelo MTE. A inspeção contou com apoio do movimento sindical dos trabalhadores e participação da Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro), do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado do Rio Grande do Sul (CREA-RS) e do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest) da Região Centro, com sede em Santa Maria. Fonte:Correio do Povo