08 de Outubro de 2018
  • Jornal do Comércio
  • Política
  • P. 17

Biometria provoca filas em Porto Alegre

Pela primeira vez, Capital utilizou o sistema para eleitor acessar as urnas

A dificuldade do sistema de biometria em reconhecer a identidade digital gerou mais tempo de espera para eleitores em diversas seções de votação. Em Porto Alegre, essa eleição foi a primeira com a utilização do sistema de identificação biométrico, necessário para liberar o acesso à cabine de votação onde fica a urna. Em alguns locais, os relatos foram de que o tempo de espera – que, em outros anos, era de, em média, 10 minutos – ultrapassou uma hora.

No Petrópole Tênis Clube, que pertence ao Grêmio Náutico União, a cena era de longas filas. A quadra de um ginásio ficou completamente tomada por eleitores em pé, que esperaram até uma hora e meia para poder ingressar na cabine de votação. Segundo Claudine Gus, de 50 anos, que sempre votou no ginásio, nunca houve tanta demora. “Disseram que foi realmente por isso”, afirma, referindo-se à identificação biométrica.

Para Fernando Palmeiro, de 36 anos, a demora também decorreu das pessoas terem de repetir o processo de reconhecimento biométrico mais de uma vez. “Demorei 50 minutos (entre a fila e a votação). Em outras eleições, não passou de 10 minutos”, compara.

Nos colégios La Salle Dores e Sévigné, no Centro da Capital, a cena se repetiu: eleitores levaram mais de uma hora para registrar o voto. Da mesma forma ocorreu na escola Dinah Néri Pereira, no bairro Farroupilha, e na Faculdade de Educação Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Esef-Ufrgs), no bairro Jardim Botânico: aglomerações e espera de eleitores para registrar os votos. No colégio Rio Branco, no bairro Santa Cecília, eleitores desistiram de aguardar pela votação no final da manhã. Optaram por ir almoçar e retornar à tarde.

Demoras também no Interior. Na localidade de Vista Alegre, no interior de Santa Cecília do Sul, Maria Luísa Lamb Souto ficou por mais de 30 minutos na fila – em outros anos, não enfrentava espera. No colégio Luiz Badalotti, em Erechim, a mesária Isabel Suptitz contou que os problemas se deram nas leituras de digitais. “Se passasse de primeira, o processo seria bem mais prático”, comentou.

O Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RS) reconheceu o atraso, mas garantiu que “nenhum eleitor seria impedido de votar por conta de (problema na) biometria”. Segundo o secretário de Tecnologia da Informação do TRE, Daniel Wobeto, quem ainda estava nas filas após as 17h (término da votação) recebeu senha para votar, conforme prevê a legislação eleitoral.

Para Wobeto, é natural que ocorra uma demora a mais com o uso da biometria, mas o recurso agrega segurança ao processo. “Passamos de zero a 60% do eleitorado de Porto Alegre com biometria, o que gera uma quebra no padrão”, justificou. No segundo turno, a expectativa é que os mesários e os eleitores já estejam habituados com o método e que o processo se torne mais célere.

Aos mesários, a orientação da Justiça Eleitoral era realizar quatro tentativas de identificação da digital antes de liberar o eleitor para votação sem o reconhecimento biométrico. Além disso, mesmo quem não passou pelo cadastramento biométrico em Porto Alegre realizou a identificação – o motivo é uma parceria da Justiça Eleitoral com o Instituto-Geral de Perícias (IGP) para importar as digitais.

Dos mais de 27 mil aparelhos no Estado, o TRE registrou 121 problemas até as 14h. Desses, 53 não estavam funcionando, 22 tinham problemas na impressora, e o restante apresentou problemas diversos. A solução para 57 delas foi a substituição; para 29, a reinicialização da máquina; e para 18, o ajuste ou a troca do papel, entre outras soluções. Em Três Coroas, o problema em uma urna eletrônica não foi possível de ser solucionado e os 312 eleitores usaram cédulas de papel. Isso não ocorria desde o primeiro turno das eleições de 2010.