13 de Abril de 2018
  • Correio do Povo
  • Geral
  • P. 20

Audiência pública avalia o transporte hidroviário

Possibilidades de ampliação do modal e também seus entraves foram discutidos em reunião especial

A exploração do serviço de transporte hidroviário em Porto Alegre foi tema da audiência pública do projeto “Câmara na Rua” realizada ontem durante um passeio pelo Guaíba no Catamarã. O diretor-presidente da EPTC, Marcelo Soletti, disse que quem autoriza o transporte hidroviário na cidade hoje é a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Mobilidade Urbana com o aval da empresa. “O transporte hidroviário possui regras municipais, estaduais e federais. O processo de licenciamento de uma linha de transporte não é somente a concessão. É preciso fazer dragagem e sinalização da hidrovia e licenças tanto da Marinha, no Rio de Janeiro, quanto da Superintendência de Portos, em Rio Grande”, observou.

Conforme Soletti, há vontade e interesse por parte da prefeitura e está sendo avaliado o processo. “Quem fará os investimentos? O processo todo envolve uma série de requisitos como por exemplo as licenças da Fepam e da Secretaria do Meio Ambiente. São questões que não dependem apenas do poder público municipal”, explicou. Soletti afirmou que a prefeitura quer entregar um serviço que sirva para o cidadão porto-alegrense. Para tanto, a empresa buscou informações sobre os serviços realizados em Manaus e Belém do Pará e a travessia Rio/Niteroi.

O diretor-presidente do Grupo Ouro e Prata, Hugo Eugênio Fleck, observou que há entraves burocráticos e legais. “A vontade de fazer do empresário sempre é grande e é mais um modal para se vincular aos existentes na cidade. No meu entendimento, é mais uma questão de vontade política do que técnica”, ressaltou. A empresa é responsável pela CatSul que opera desde outubro de 2011 cinco embarcações na travessia Porto Alegre/ Guaíba. Os barcos com cerca de 140 lugares transportam cerca de 2,5 mil pessoas por dia. Segundo Fleck, os principais trechos passíveis de exploração podem ser de Ipanema até o Centro de Porto Alegre e proximidades como até o Lami. “Porto Alegre não pode virar as costas para o Guaíba”, destacou.

Fleck afirmou que existe toda uma atração turística e o potencial dos clubes como o Grêmio, o Inter e o União e ainda de construção de barcos. Segundo Fleck, qualquer local bonito como o Guaíba é gerador de recursos para a sociedade e significa desenvolvimento de uma região. Ao longo do percurso, que incluiu o Delta e as Ilhas do Guaíba, o diretor-geral do Dmae, Darcy Nunes dos Santos, falou sobre qualidade da água. Já o comandante da Capitania Fluvial de Porto Alegre, capitão de Mar e Guerra, Amaury Marcial Gomes Júnior, abordou as atividades da Capitania dos Portos na Capital.

Sessão contou com 18 vereadores

Um total de 18 vereadores da Câmara Municipal de Porto Alegre participaram ontem da sessão especial a bordo do Catamarã e do barco Cisne Branco. Na parte da manhã, eles percorreram de Catamarã diversos pontos do Guaíba até o Lami, na zona Sul da cidade. Na parte da tarde, os vereadores embarcaram no Cisne Branco. Os vereadores participaram ainda de um almoço na Ilha do Pavão oferecido pelo Grêmio Náutico União (GNU).

O vereador Roberto Robaina (PSol) lembrou que no governo do ex-prefeito José Fortunati foi prometido até a data de inauguração do transporte hidroviário da Ilha da Pintada até o centro de Porto Alegre. “É evidente que o transporte hidroviário é viável tanto que a experiência da travessia Porto Alegre/Guaíba feito pela Cat- Sul deu certo”, destacou. Robaina disse que, além dos entraves municipais, existe pressão do transporte rodoviário privado de ônibus de Porto Alegre. Já o vereador André Carús (PMDB) afirmou que o modal hidroviário é importante, porque incentiva o turismo. “Entre outras vantagens estão os benefícios ambientais e sustentáveis. É um transporte limpo que não produz gases poluentes na atmosfera”, ressaltou.

O vereador afirmou que a implementação do sistema hidroviário com recursos públicos municipais não é possível neste momento, então se faz necessária a busca de recursos privados para viabilizar o projeto. “A prefeitura precisa priorizar a questão do transporte hidroviário para promover a integração com outros modais da cidade”, acrescentou.