13 de Janeiro de 2021
  • Correio do Povo
  • Geral
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Butantan diz que Coronavac previne 50,4% de todos os casos de infecção

Resultado foi divulgado após cobrança da comunidade científica. Vacina se mostrou segura e só 0,3% tiveram alguma reação alérgica

Após controvérsia acerca dos números divulgados na semana passada, o Instituto Butantan detalhou ontem que a vacina Coronavac tem eficácia geral de 50,38% contra a Covid-19. O imunizante é desenvolvido em parceria com a farmacêutica Sinovac. A taxa que considera a análise de todos os voluntários infectados foi revelada durante entrevista coletiva pelo diretor médico de pesquisa clínica do Instituto Butantan, Ricardo Palácios. Ele explicou que essa é a eficácia geral da vacina nos estudos de fase 3. O número é inferior ao apresentado na semana passada pelo governo paulista, de 78%, pois a taxa referiase somente a um recorte do estudo: ao grupo de voluntários que manifestaram casos leves de Covid19, mas com necessidade de atendimento médico.

Segundo ele, já estava prevista “uma eficácia menor em casos mais leves e uma eficácia maior em casos moderados e graves”. “Nós conseguimos demonstrar esse efeito biológico esperado. Esta é uma vacina eficaz. Temos uma vacina que consegue controlar a pandemia através deste efeito esperado, que é a diminuição da intensidade da doença clínica”, explicou Palácios. A taxa de eficácia geral é o principal indicador medido pelo estudo da Coronavac (o chamado desfecho primário), segundo protocolo da pesquisa. Embora inferior à primeira taxa divulgada, o índice de 50,38% é considerado suficiente para obter aprovação do imunizante pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). À noite, a agência divulgou nota indicando que o resultado da aprovação do uso emergencial, tanto da Coronavac quanto do imunizante de Oxford, pode ocorrer no próximo domingo. Na quinta-feira passada, o governador João Doria (PSDB) afirmou que o imunizante tem 78% de eficácia contra casos leves da doença e 100% contra os quadros graves e moderados. A eficácia geral, principal indicador da pesquisa e que considera toda a amostra de voluntários, não foi revelada na ocasião, o que desencadeou reação de especialistas.

Após as críticas, o governo paulista anunciou que faria coletiva de imprensa ontem para apresentar tais dados. Os testes da CoronaVac no Brasil foram feitos em 12.508 voluntários – todos profissionais de saúde que estão na linha de frente do combate ao coronavírus – e envolveram 16 centros de pesquisa. No Rio Grande do Sul, estes estudos ocorreram no Hospital da PUCRS, em Porto Alegre, e na Universidade Federal de Pelotas, no Sul do Estado.

RISCO QUASE ZERO.

Na avaliação da bióloga e presidente do Instituto Questão de Ciência, Natalia Pasternak, que também esteve presente na coletiva de ontem, a vacina cumpre o papel de iniciar a saída do Brasil da pandemia. “Temos uma vacina que é potencialmente capaz de prevenir doença, doença grave e morte. E, afinal das contas, era tudo o que a gente queria desde o começo”. Apenas 0,3% dos participantes reportando algum tipo de reação alérgica. A maioria dos efeitos reportados foi dor no local da injeção. Ela destacou que, além de diminuir as chances de contaminação, o imunizante se mostrou eficiente para reduzir as complica